Experimentos Psicológicos sobre o Lado Negro da Força

Os psicólogos sabem que devem tomar muito cuidado ao xeretar na mente humana porque você nunca sabe o que vai encontrar lá [1]. Com o passar dos anos, vários experimentos chegaram a conclusões um tanto assustadoras sobre o comportamento humano.

Não, não estou falando de um psicopata preso ao tentar entrar pelado em um buffet infantil com um algodão doce enfiado na bunda. Estou falando de pessoas "normais" como você e eu.

Aos experimentos...

5. O Experimento de Conformidade de Asch (1953)

Conformidade - Marcha

Metodologia:
Com o propósito de deprimir virtualmente qualquer pessoa que lesse seus relatórios, Solomon Asch decidiu conduzir uma série de estudos para documentar o poder da conformidade ou, como eu gosto de chamar, o poder da maria-vai-com-as-outrasidade.
Os indivíduos foram informados que estavam participando de um estudo sobre a visão. Mostravam figuras para eles e, individualmente, perguntavam coisas absurdamente simples. A pegadinha [2] era que todas as outras pessoas na sala sabiam do experimento e foram instruídas a darem respostas erradas. E aí? O indivíduo vai contra a maioria, obviamente cega e demente, ou responde corretamente?

Resultado:
As perguntas do teste eram como esta:

Experimento de Conformidade de Asch

Como você pode perceber, ele não estava pedindo para que as pessoas desenvolvessem uma nova estação espacial. A única maneira de você errar era se estivesse bêbado, de costas, no escuro, tentando se livrar de um macaco albino batedor de carteiras [3].
Mas, infelizmente, 32% das pessoas respondiam incorretamente se vissem 3 outras dando respostas erradas.

Conclusão:
Imagine o quanto esses 32% aumentam quando a resposta não é tão óbvia quanto a do experimento. Você ri quando não entende uma piada?
Não acredita nos resultados? Veja o vídeo (em inglês).


4. O Experimento do Bom Samaritano (1973)

Bom Samaritano

Metodologia:
A história bíblica do bom samaritano é aquela em que um samaritano ajuda um outro homem enquanto outros egoístas sujos passam sem fazer nada. Os psicólogos John Darley e o filho do Batman, Daniel Batson, queriam saber se a religião tem algum efeito no comportamento autruísta.
Os indivíduos eram seminaristas. A história do Bom Samaritano foi dada à metade deles e pediu-se que dessem uma palestra sobre ela no prédio adjacente. A outra metade iria falar sobre oportunidades de emprego também no prédio adjacente. A sacada do experimento é que os horários dessas palestras eram dados para que alguns deles tivessem que correr para lá e outros pudessem ir com calma. No caminho para o prédio, eles passariam por uma pessoa jogada em um canto, obviamente precisando de ajuda.

Resultado:
As pessoas que estavam indo falar sobre o Bom Samaritano não pararam mais frequentemente que as pessoas que falariam sobre empregos. O fator que realmente fez diferença era a pressa em que estavam. Quando pressionados pelo tempo, apenas 10% dos indivíduos paravam para ajudar o mendigo.
Mas, pra ser honesto, alguém já viu um professor aceitar a desculpa "Mas, professor, eu parei para ajudar um necessitado."?

Conclusão:
Sempre que precisar de ajuda se jogue em um parque e não em uma rua movimentada. Pessoas com pressa não tem tempo para ajudar você.
Você acha que esse caso é isolado, vejam essa notícia (em inglês). Vários motoristas desviam de uma mulher ensanguentada na rua, mas nenhum pára para ajudá-la.


3. O Experimento da Apatia do Espectador (1968)

Apatia do Espectador

Metodologia:
Quando uma mulher foi assassinada em 1964, jornais noticiaram que 38 pessoas haviam ouvido e visto o ataque, mas não fizeram nada. John Darley, o mesmo do anterior, e Bibb Latane queriam saber se o fato dessas pessoas estarem em um grupo grande teve alguma interferência no fato de não ajudarem.
Os psicólogos convidaram voluntários para participar em uma discussão. Eles disseram que, por ser uma discussão acalorada [4], os indivíduos seriam colocados em salas diferentes e se comunicariam através de um interfone.
Durante a conversa, um dos caras ia fingir um ataque que poderia ser ouvido pelo interfone [5].

Resultado:
Quando as pessoas achavam que eram as únicas a saber do ataque, 85% eram heróicas e saiam da sala para chamar ajuda. Quando o experimento era alterado e as pessoas achavam que havia mais 4 pessoas na discussão, somente 31% saia para chamar ajuda.

Conclusão:
A expressão "quanto mais melhor" tem que ser mudada para "quanto mais maior a chance de você morrer de um ataque". Talvez a mulher da notícia anterior tivesse mais chance se estivesse numa rua deserta e só um motorista a visse.


2. O Experimento da Prisão de Stanford (1971)

Grades de Prisão

Metodologia:
O psicólogo Philip Zimbardo queria descobrir o quanto o cativeiro afeta autoridades e internos em uma prisão. Parece inocente, né? Sério... o que poderia sair errado?
Zimbardo transformou o porão do Departamento de Psicologia de Stanford em uma prisão de mentirinha. Os voluntários responderam a um anúncio no jornal e, depois de passar por um exame médico e de psicotécnico, foram divididos em 12 guardas e 12 presos. O própiro Zimbardo tomou o papel de Diretor do presídio. A simulação duraria 2 semanas. É... nada podia dar errado.

Resultado:
Demorou mais ou menos um dia para todos os voluntários ficarem mais insanos que um coelho da Duracell que tomou ecstasy. No segundo dia, os presos fizeram uma rebelião de mentirinha ao que os guardas responderam disparando extintores de incêndio sobre os rebeldes porque... er... bem, porque não?
A partir daí o negócio virou um inferno. Guardas começaram a forçar presos a dormir pelados no concreto, restringir idas ao banheiro, obrigá-los a limpar as privadas com as mãos etc.
O experimento chegou ao fim quando a namorada de Zimbardo, Christina Maslach, colocou um basta na loucura. Depois de apenas 6 dias, Zimbardo acabou com o experimento (muitos "guardas" ficaram bastante desapontados com isso).

Conclusão:
Já foi parado por um guarda que agiu como um cuzão? A ciência diz que, se os papéis fossem trocados, você faria a mesma coisa! Acontece que é o medo da repercussão que faz com que não torturemos outras pessoas. Dê poder absoluto e um cheque em branco a alguém e deixe o circo pegar fogo!


1. O Experimento de Milgram (1961)

Aparelho de Choques

Metodologia:
Quando a água bateu na bunda dos nazistas depois da guerra, a desculpa dos réus sempre rondava a idéia de "Eu não ser mau de verdade, eu estar só seguindo ordens". Stanley Milgram, psicólogo de Yale, queria testar a disposição de indivíduos a obedecer uma figura de autoridade.
No experimento, voluntários tomavam o papel de professor passando um teste de memória a um aluno-ator, convenientemente colocado em outra sala. Cada vez que o "aluno" desse uma resposta errada, levava um abraço choque do professor. Para garantir que o choque (de mentira, óbvio) era dado, havia um cara de jaleco na sala junto com o professor. O choque começava em 45 volts e, a cada resposta errada, aumentava.
A cada choque, o ator gritava cada vez mais, implorando para que o professor parasse. Consegue adivinhar o que aconteceu?

Resultado:
Muitos voluntários sentiram-se incomodados depois de um certo ponto e questionaram o experimento, mas o cara de jaleco continuava a encorajá-los a dar o choque. A maioria continuou, aumentando a voltagem, dando choque atrás de choque, enquanto a vítima gritava.
Eventualmente, o ator começava a bater na parede que dividia as salas, falando que tinha problemas cardíacos. Depois de mais alguns choques, todo som da sala da vítima parava, indicando que tinha desmaiado ou morrido. Se você tivesse que chutar... qual porcentagem de pessoas continuaram a dar choques depois desse ponto? 5%? 10%?
Entre 61 e 66 por cento dos voluntários continuavam o experimento até atingir a voltagem máxima de 450 Volts [6], dando choques mesmo quando a vítima, teoricamente, tinha desmaiado ou subido no telhado. Resumindo, voluntários vão dar choques em desconhecidos desde que um cara de jaleco fale que está tudo bem.

Conclusão:
Você pode pensar que é um cara de cabeça feita, que não é de obedecer ordens e tal, mas, quando o assunto é sério, provavelmente você não vai enfrentar a autoridade por medo da autoridade empalar-lhe. E isso era um cara de jaleco, imagine alguém com um uniforme, ou um distintivo.
Charles Sheridan e Richard King levaram o experimento a um novo patamar substituindo o ator por um cão. De verdade, o cão e o choque. Quase 80% chegou à voltagem máxima. 8 em cada 10 pessoas torturariam um cachorro se um cara de jaleco mandasse.


Fonte: Cracked.com

[1] Uma surpresa de Kinder Ovo? A ilha de LOST? Um guarda-chuva? Ulisses Guimarães?
[2] Não... não desse tipo.
[3] Opa! Idéia para um próximo experimento.
[4] Provavelmente sobre tamanho de pinto, time de futebol ou sabor de miojo predileto.
[5] "Ai, meu Deus! Esse ataque que eu estou tendo é horrível!"
[6] Lembrando que o que mata realmente a pessoa é a corrente, isto é, a amperagem, e não a tensão do choque.

0 bedelhos metidos: