Eu, Malika Oufkir, Prisioneira Do Rei

"Vivi um conto de fadas às avessas", diz Malika.

Stolen Lives

Malika, rainha em árabe, nasceu no Marrocos em 1953 e foi adotada aos 5 anos pelo rei Mohammed V. Seus pais, Mohammed Oufkir e Fatéma, a visitavam com freqüência. Ela teve uma educação rígida e alemã, com a governanta Rieffel, aprendia as lições em árabe, francês e, quando mais velha, inglês. Juntamente com Lalla Mina, filha do Rei, ganhavam inúmeros presentes de pessoas importantes da época, como filhotes de elefantes. O amor incontestável dado pelo Rei era igual às duas meninas, que morreu três anos depois da chegada de Malika ao palácio. Hassan II herdou o trono do pai.

A vida cheia de luxo no palácio, durou até os 16 anos de Malika, que sentiu necessidade de voltar pra casa dos pais. Passara tanto tempo longe que, além de não ver seus irmãos – Myriam (Mimi), Raouf, Mouna-Inan (Maria), Soukaïna e Abdelatiff – nascerem, não se sentia da família, pois nas fotos espalhadas pela casa, ela não estava presente. Ao voltar pra casa, ela teve uma adolescência memorável, sempre foi linda, frequentava festas, viajava, esvaziava lojas em Paris e Madri comprando roupas, tinha amizades e até romances com celebridades, como Steve McQueen, era uma jovem absolutamente feliz, amava muito o pai.

Mas, em 1972, Hassan II sofreu um golpe militar, o General Oufkir foi executado e sua família foi presa em casa por 4 meses. Após esse período, a família, a governanta e a irmã mais nova da babá do caçula Abdelatiff de 2 anos foram presos pelo golpe. Foram 5 cadeias diferentes, mas nenhuma mais deplorável que a penitenciária de Bir-Jid, onde passaram 10 anos presos em celas separadas, 9 anos depois puderam se ver. Raouf passou 15 anos sozinho na solitária, enquanto os outros dividiam 2 a 2 as celas, com exceção à cela de Malika, que dividia com as 3 irmãs. A fome os levou a se alimentar de carne estragada e ovos podres que os guardas os serviam, Malika diz se lembrar de ver Sokaïna tirar cuidadosamente os pêlos de rato de cima do pão adormecido e comê-lo logo em seguida, tamanha era a fome, Myriam era epilética, as tentativas de suicídio não deram certo, as feridas simplesmente se curavam. O final surpreendente, nos leva a torcer pelos irmãos Oufkir, a cada segundo com eles, durou uma eternidade em 15 anos longe de tudo e de todos

Malika Oufkir

Malika agora é casada com Eric Bordeiul, mas infelizmente por conta dos maus-tratos na prisão, ela tornou-se estéril.

Mesmo presos, sofrendo e passando fome, Malika nunca desistiu, dentro das malas de grife que levou para a cadeia e viu serem queimadas, ela levava artifícios para educar e cuidar de seus irmãos, com matérias escolares e boas maneiras. Esse livro sofrido foi escrito, pois ela queria mostrar ao mundo o que lhe aconteceu e tentar, de alguma forma, exorcizar o passado que lhe assombra. Juntamente com a jornalista francesa Michèlle Fitoussi, ela conseguiu por no papel o conto de fadas ao avesso que passou nas ‘’mãos’’ de Hassan II em cadeias Marroquinas.

Fonte: Pluralidade

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